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Segredo dos Diamantes: storyboards

Em “Segredo dos Diamantes” tivemos o privilégio de contar com o talento de um artista que eu não conhecia, Toninho Hashitomi. O cara arrebentou nos storyboards do filme. A cena inicial, emblemática e chocante, precisava de uma preparação enorme por conta dos efeitos especiais – e nessa hora o talento do artista de storyboard não tem preço.

Reproduzo aqui alguns painéis e fotos dessa cena inicial.

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

Dira Paes e Nivaldo Pedrosa no estúdio rodando a cena antes dos efeitos serem aplicados.

Dira Paes e Nivaldo Pedrosa no estúdio rodando a cena antes dos efeitos serem aplicados.

Helvécio Ratton e equipe conferindo a filmagem da cena no estúdio.

Helvécio Ratton e equipe conferindo a filmagem da cena no estúdio.

A cena já finalizada com os atores Dira Paes, Nivaldo Pedrosa e Matheus Abreu.

A cena já finalizada com os atores Dira Paes, Nivaldo Pedrosa e Matheus Abreu.

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“Irmã Dulce merece fazer sucesso”

CRÍTICA DO ESTADÃO

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Há um momento admirável em Irmã Dulce, o filme. Preocupada com o filho, que sumiu na noite de Salvador, a religiosa o procura no candomblé, onde João foi fechar seu corpo. Para surpresa de todos, adentra o terreiro. Troca olhares/palavras com a senhora dos orixás. Entendem-se. Respeitam-se. A cena não é só uma licença poética. Ocorreu de verdade, mesmo que João, o filho, não seja um, mas a síntese dos centenas/milhares de Joões a quem Irmã Dulce deu uma vida. Mais tarde, Irmã Dulce vai ao encontro do papa. A cúpula da Igreja tentou afastá-la de João Paulo II. João, o filho, liderou um movimento popular e o encontro com o papa, na verdade, é o reencontro com o filho. Duas belas cenas.

O cinema brasileiro tem contado biografias, mas os filmes, embora bem feitos (Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo CoelhoTim MaiaTrinta), não têm acontecido. Podem-se identificar os motivos – um problema de recorte, na hora de selecionar o que contar –, mas uma facilidade talvez seja dizer que o público prefere as comédias aos dramas. Os maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional são dramas embasados na realidade – Tropa de Elite 1 e 2, 2 Filhos de Francisco. Mas parece uma temeridade fazer um filme sobre Irmã Dulce. A vida dela foi uma luta sem-fim pelos pobres, mas não oferece aquilo que se chama de ‘curva dramática’. O diretor Vicente Amorim e seus roteiristas (L.G. Bayão e Anna Muylaert) se valem de personagens secundários para criar a curva. Arriscam-se. Por algum milagre, conseguem. Irmã Dulce é um grande filme ‘popular’. A questão de sempre – fará sucesso? Bianca Comparato e Regina Braga são extraordinárias no papel, Amaurih Oliveira, que faz João, é uma revelação e você vai odiar a madre ressentida de Irene Ravache, de tão bem que ela faz a personagem. Os cuidados de produção são imensos. Mas a interrogação permanece – você vai querer ver esse filme? Vicente Amorim teve tempo de pensar no que e como fazer. Buscou suas referências. Menina, a futura Irmã Dulce arranha a parede do barraco ao ser levada pela mãe para conhecer a miséria. Adulta, arranha com as unhas outra parede, ao se dirigir ao encontro com o papa. Emmanuelle Riva fazia isso numa cena-chave de Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais. Casta, casada com Cristo, Irmã Dulce sente uma perturbação ao reencontrar o acordeonista de sua infância. Toca-lhe a barba com delicadeza – para lembrar, como diz a madre, que é mulher?

É um belo filme, e como todos de Vicente Amorim fala de uma tentativa de organizar o caos do mundo. O caos do Brasil. O final meio que institucionaliza o propósito, mas no reencontro com o papa, a troca agônica de olhares desenha a morte dela e o que vai ser o sofrimento dele.

Irmã Dulce, o filme, merece fazer sucesso.

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Making of de “O Segredo dos Diamantes”

Saiu o making of do meu filme com Helvécio Ratton, “O Segredo dos Diamantes”. Muito bom poder ver a equipe toda de novo no vídeo, gente que conheci quando fui até Minas para acompanhar as filmagens – alguns voltaram a trabalhar comigo em outros filmes, outros ainda não reencontrei. Fica o registro.

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O ônibus em chamas

“Uma boa história de herói precisa de dificuldades, superação, um personagem forte e, se possível, uma cena de salvamento em um ônibus pegando fogo. Todos esses elementos estão presentes em Irmã Dulce”.

Isso é da resenha que saiu na Rolling Stones sobre o “Irmã Dulce”, filme que escrevi com Anna Muylaert. Uma das grandes dificuldades, porém, foi a famosa cena do ônibus em chamas. Isso de fato aconteceu na vida real e eu não conseguia fazer com que ela entrasse no filme de forma natural.

Storyboard da sequência do ônibus em chamas.

Storyboard da sequência do ônibus em chamas.

A solução era trazer para a cena um personagem-chave criado por nós para o filme, o fictício João. Dirigida pelo mestre Vicente Amorim, com a fotografia do Gustavo Hadba e montada com maestria pela Tainá Diniz, a cena é uma das mais incríveis do longa.

Que venha logo o dia 27, quando o filme estreia em todo o Brasil!

João (Lisandro Oliveira) e Irmã Dulce (Bianca Comparato) em ação.

João (Lisandro Oliveira) e Irmã Dulce (Bianca Comparato) em ação.

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Estreia IRMÃ DULCE

Hoje é um dia especial: estreia (apenas no Norte e Nordeste) meu filme “Irmã Dulce”, dirigido pelo Vicente e produzido pela Iafa. Com isso surgem as primeiras críticas ao filme – dei uma passada de olho em todas até agora e fiquei bem animado. O filme, para a maioria, vem sendo bem recebido. De todas as críticas, porém, a mais curiosa foi essa do Cine Pipoca Cult – conta com o diálogo divertido dos próprios críticos.

Irmã Dulce (Brasil, 2014)
Direção: Vicente Amorim

Cinebiografia de irmã Dulce, religiosa baiana que dedicou grande parte de sua vida a ajudar os necessitados. Tendo o amor e a caridade como prioridades, ela ignora preconceitos, desconfianças, dogmas e até mesmo sua saúde frágil, sempre colocando-se à disposição do outro. Conhecida como “Anjo Bom da Bahia”, ela pode se tornar a primeira santa brasileira.

Thomas: Olha, meus olhos ficaram suados, mas mais pela freira que pelo filme em si. Acho que ele poderia ser mais emotivo, mais coração. A menina Comparato está incrível, tão incrível que prejudicou nossa avaliação em relação ao trabalho de Regina Braga. No final, é um bom filme, acho nota 3 tá bom.

Lumi: Deixa de ser chato, Thomas. O filme é lindo. 

Thomas: Ah, vá. Por ela, 4. E leve seu guarda-chuva pra sala que tá um chororô só…

Os sorridentes Iafa Britz (produtora) e Vicente Amorim (diretor).

Os sorridentes Iafa Britz (produtora) e Vicente Amorim (diretor).

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O Segredo dos Diamantes no Cinema em Cena (crítica)

Eis uma simpática crítica escrita pelo Pablo Vilaça sobre “O Segredo dos Diamantes”, filme que fiz com Helvécio Ratton. Gostei tanto do que ele escreveu que resolvi publicar aqui para guardar.

Alberto, Rachel e Matheus no set de "O Segredo dos Diamantes".

Alberto, Rachel e Matheus no set de “O Segredo dos Diamantes”.

“O Segredo dos Diamantes”

Dirigido por Helvécio Ratton. Roteiro de L.G. Bayão. Com: Mattheus Abreu, Rachel Pimentel, Alberto Gouvea, Dira Paes, Rui Rezende, Rodolfo Vaz, Glicério Rosário, Chico Neto, Renato Parara e Manoelita Lustosa.

O mineiro Helvécio Ratton é um cineasta que gosta de surpreender: depois de iniciar a carreira dirigindo aquele que até hoje é considerado um dos documentários mais importantes do nosso Cinema, tornando-se referência na luta empreendida pelo movimento antimanicomial (estou falando, claro, de Em Nome da Razão), Ratton dirigiu um pequeno clássico infantil, A Dança dos Bonecos, passando a oscilar, desde então, entre projetos adultos (Amor & Cia, Batismo de Sangue) e infantis (O Menino Maluquinho, Pequenas Histórias e, agora, este O Segredo dos Diamantes) – e é notável que o mesmo realizador que recriou momentos bárbaros de tortura nos porões da ditadura demonstre uma leveza tão grande em seus trabalhos voltados para o público infanto-juvenil.

Pois O Segredo dos Diamantes (como o recente O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha) é um filme repleto de energia que diverte ao mesmo tempo em que respeita seus espectadores (crianças e adultos), por vezes flertando com o fabulesco e, em outros instantes, apostando em cenas mais dramáticas, mas jamais piegas ou maniqueístas. Assim, o roteiro de L.G. Bayão inicialmente nos apresenta a uma família que, em uma viagem de carro, exibe uma harmonia e um amor que se tornarão motores do restante da narrativa, aproveitando também para introduzir elementos da trama que posteriormente se revelarão fundamentais, numa estratégia elegante em sua economia. Quando, porém, um acidente interrompe a viagem (algo que Ratton atira sobre o espectador num choque súbito), o jovem Angelo (Abreu) passa a aguardar a recuperação dos pais na casa dividida pela avó e pelo tio – e ao descobrir que o tratamento capaz de salvar a vida do pai é proibitivamente caro, o garoto se une aos amigos Júlia (Pimentel) e Carlinhos (Gouvea) na busca por diamantes que, reza a lenda local, foram escondidos pelo misterioso padre Oliveira.

Inteligente ao assumir um ponto de vista juvenil desde o princípio, Ratton e o veterano diretor de fotografia Lauro Escorel levam o público a perceber a maneira com que o protagonista percebe os incidentes que o cercam e que, claro, representam os pesadelos de qualquer criança: a perda dos pais, a frustração por ser mantido no escuro pelos adultos e, claro, a angústia de perceber que algo assustador está levando os adultos de seu cotidiano a um choro convulsivo e escondido no aposento ao lado (e não é à toa que frequentemente vemos Angelo observando, encostado na parede e posicionado no canto do quadro, a reação de seus parentes mais velhos). Ao mesmo tempo, é fundamental que O Segredo dos Diamantes estabeleça esta conexão entre a plateia e os personagens principais, já que é justamente a imaginação daqueles jovens que torna a aventura plausível em um mundo tão cínico.

No entanto, a aventura que eles vivem é apenas o fio condutor da narrativa, que, no processo de acompanhá-la, resgata outros pequenos prazeres da infância, como a delícia de uma mesa repleta de guloseimas preparadas pela avó carinhosa, a expectativa diante de um mistério (e o medinho gostoso que toda criança parece apreciar até certo ponto) e, claro, o gelo na barriga provocado pela descoberta do primeiro amor. Para retratar esta coleção de memórias afetivas, a produção reúne um elenco coeso que, do trio principal estreante até os experientes Rui Rezende, Dira Paes e Manoelista Lustosa encarnam seus personagens com espontaneidade e sensibilidade.

Embalado por uma trilha que acerta em seus temas que evocam alegria e energia (o que inclui uma boa música-tema composta pelo Skank), O Segredo dos Diamantes não teme investir em um humor ingênuo que constantemente provoca um riso sem culpas e que se mostra acessível ao público mais jovem ao mesmo tempo em que diverte os mais velhos justamente pela inocência – algo cada vez mais incomum no Cinema infanto-juvenil e que O Menino no Espelho também emprega com sucesso.

Trazendo uma direção de arte brilhante de Adrian Cooper (contrastem o escritório do avô, amontado e aconchegante ao mesmo tempo, com o sebo visitado pelas crianças e com a casa inquietante do vilão de Rui Rezende), o filme ainda se beneficia das excelentes locações, que, com suas ruazinhas de pedra, suas casas antigas e sua geografia irregular, conferem um tom atemporal à narrativa, soando nostálgica sem, com isso, parecer datada. E ainda que acertadamente adote um tom mais sombrio em seu terceiro ato (afinal, o que é uma aventura sem riscos?), Ratton não exagera na abordagem para não comprometer a leveza da hora que o precedeu.

Assim, quando chega aos seus ótimos créditos finais, O Segredo dos Diamantes envia os espectadores – pais e filhos – felizes para fora do Cinema. É preciso mais do que isso?

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Cartaz divulgado!

Criado pela Ana França (Ana França Design), eis que chega ao público o cartaz oficial do longa-metragem “Irmã Dulce”. A atriz Regina Braga estrela o cartaz mostrando uma Dulce na maturidade (Bianca Comparato a interpreta na fase inicial), quando, embora já admirada por suas ações, ainda continuava a enfrentar resistência à sua forma de atuar, inclusive dentro da própria Igreja.

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Dulce no Vaticano

Uma notícia curiosa surgiu na imprensa por esses dias: “Filme ‘Irmã Dulce’ será entregue ao Papa Francisco”. Na hora achei que era brincadeira, como assim Papa Francisco vai assistir a um filme que eu escrevi, caramba? Pesquisei… e era verdade!

Segundo averiguei, a notícia dizia o seguinte:

“Está a cargo de dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entregar ao papa Francisco o DVD do filme “Irmã Dulce”. Ele está a caminho de Roma junto com dom Orani Tempesta, cardeal do Rio de Janeiro; dom Odilo Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo e dom Edgard Madi, bispo da Eparquia Maronita Libanesa no Brasil.” 

Incrível! A emoção é grande,  sou grande admirador do novo Papa. Acredito, inclusive, que ele e Dulce têm muito em comum. Ao escrevê-la ganhando as ruas de Salvador, me lembrei das imagens que vi pela TV do Papa Francisco em sua última visita ao Brasil. Ou seja: ele nem sabe, mas inspirou algumas cenas do longa.

E a matéria dizia mais:

“Uma comitiva segue para Roma: a produtora Iafa Britz; Maria Rita Pontes, sobrinha da irmã Dulce e Superintendente da OSID – Obras Sociais irmã Dulce; e padre Omar Raposo. Eles têm em mãos duas cartas de recomendação do filme, assinadas por dom Murilo Krieger, arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) e primaz do Brasil dom Orani, cardeal do Rio de Janeiro; ainda, irão encontrar pessoas fundamentais para a divulgação do filme, como o diretor da Rádio Vaticano.”

Espero que o filme ajude a aumentar ainda mais o fascínio e a admiração que as pessoas têm pela freirinha. Que alegria! E o filme nem chegou aos cinemas ainda…!

Bianca Comparato como Irmã Dulce. Foto de Ique Esteves.

Bianca Comparato como Irmã Dulce. Foto de Ique Esteves.

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