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O Segredo dos Diamantes no Cinema em Cena (crítica)

Eis uma simpática crítica escrita pelo Pablo Vilaça sobre “O Segredo dos Diamantes”, filme que fiz com Helvécio Ratton. Gostei tanto do que ele escreveu que resolvi publicar aqui para guardar.

Alberto, Rachel e Matheus no set de "O Segredo dos Diamantes".

Alberto, Rachel e Matheus no set de “O Segredo dos Diamantes”.

“O Segredo dos Diamantes”

Dirigido por Helvécio Ratton. Roteiro de L.G. Bayão. Com: Mattheus Abreu, Rachel Pimentel, Alberto Gouvea, Dira Paes, Rui Rezende, Rodolfo Vaz, Glicério Rosário, Chico Neto, Renato Parara e Manoelita Lustosa.

O mineiro Helvécio Ratton é um cineasta que gosta de surpreender: depois de iniciar a carreira dirigindo aquele que até hoje é considerado um dos documentários mais importantes do nosso Cinema, tornando-se referência na luta empreendida pelo movimento antimanicomial (estou falando, claro, de Em Nome da Razão), Ratton dirigiu um pequeno clássico infantil, A Dança dos Bonecos, passando a oscilar, desde então, entre projetos adultos (Amor & Cia, Batismo de Sangue) e infantis (O Menino Maluquinho, Pequenas Histórias e, agora, este O Segredo dos Diamantes) – e é notável que o mesmo realizador que recriou momentos bárbaros de tortura nos porões da ditadura demonstre uma leveza tão grande em seus trabalhos voltados para o público infanto-juvenil.

Pois O Segredo dos Diamantes (como o recente O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha) é um filme repleto de energia que diverte ao mesmo tempo em que respeita seus espectadores (crianças e adultos), por vezes flertando com o fabulesco e, em outros instantes, apostando em cenas mais dramáticas, mas jamais piegas ou maniqueístas. Assim, o roteiro de L.G. Bayão inicialmente nos apresenta a uma família que, em uma viagem de carro, exibe uma harmonia e um amor que se tornarão motores do restante da narrativa, aproveitando também para introduzir elementos da trama que posteriormente se revelarão fundamentais, numa estratégia elegante em sua economia. Quando, porém, um acidente interrompe a viagem (algo que Ratton atira sobre o espectador num choque súbito), o jovem Angelo (Abreu) passa a aguardar a recuperação dos pais na casa dividida pela avó e pelo tio – e ao descobrir que o tratamento capaz de salvar a vida do pai é proibitivamente caro, o garoto se une aos amigos Júlia (Pimentel) e Carlinhos (Gouvea) na busca por diamantes que, reza a lenda local, foram escondidos pelo misterioso padre Oliveira.

Inteligente ao assumir um ponto de vista juvenil desde o princípio, Ratton e o veterano diretor de fotografia Lauro Escorel levam o público a perceber a maneira com que o protagonista percebe os incidentes que o cercam e que, claro, representam os pesadelos de qualquer criança: a perda dos pais, a frustração por ser mantido no escuro pelos adultos e, claro, a angústia de perceber que algo assustador está levando os adultos de seu cotidiano a um choro convulsivo e escondido no aposento ao lado (e não é à toa que frequentemente vemos Angelo observando, encostado na parede e posicionado no canto do quadro, a reação de seus parentes mais velhos). Ao mesmo tempo, é fundamental que O Segredo dos Diamantes estabeleça esta conexão entre a plateia e os personagens principais, já que é justamente a imaginação daqueles jovens que torna a aventura plausível em um mundo tão cínico.

No entanto, a aventura que eles vivem é apenas o fio condutor da narrativa, que, no processo de acompanhá-la, resgata outros pequenos prazeres da infância, como a delícia de uma mesa repleta de guloseimas preparadas pela avó carinhosa, a expectativa diante de um mistério (e o medinho gostoso que toda criança parece apreciar até certo ponto) e, claro, o gelo na barriga provocado pela descoberta do primeiro amor. Para retratar esta coleção de memórias afetivas, a produção reúne um elenco coeso que, do trio principal estreante até os experientes Rui Rezende, Dira Paes e Manoelista Lustosa encarnam seus personagens com espontaneidade e sensibilidade.

Embalado por uma trilha que acerta em seus temas que evocam alegria e energia (o que inclui uma boa música-tema composta pelo Skank), O Segredo dos Diamantes não teme investir em um humor ingênuo que constantemente provoca um riso sem culpas e que se mostra acessível ao público mais jovem ao mesmo tempo em que diverte os mais velhos justamente pela inocência – algo cada vez mais incomum no Cinema infanto-juvenil e que O Menino no Espelho também emprega com sucesso.

Trazendo uma direção de arte brilhante de Adrian Cooper (contrastem o escritório do avô, amontado e aconchegante ao mesmo tempo, com o sebo visitado pelas crianças e com a casa inquietante do vilão de Rui Rezende), o filme ainda se beneficia das excelentes locações, que, com suas ruazinhas de pedra, suas casas antigas e sua geografia irregular, conferem um tom atemporal à narrativa, soando nostálgica sem, com isso, parecer datada. E ainda que acertadamente adote um tom mais sombrio em seu terceiro ato (afinal, o que é uma aventura sem riscos?), Ratton não exagera na abordagem para não comprometer a leveza da hora que o precedeu.

Assim, quando chega aos seus ótimos créditos finais, O Segredo dos Diamantes envia os espectadores – pais e filhos – felizes para fora do Cinema. É preciso mais do que isso?

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Cartaz divulgado!

Criado pela Ana França (Ana França Design), eis que chega ao público o cartaz oficial do longa-metragem “Irmã Dulce”. A atriz Regina Braga estrela o cartaz mostrando uma Dulce na maturidade (Bianca Comparato a interpreta na fase inicial), quando, embora já admirada por suas ações, ainda continuava a enfrentar resistência à sua forma de atuar, inclusive dentro da própria Igreja.

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Dulce no Vaticano

Uma notícia curiosa surgiu na imprensa por esses dias: “Filme ‘Irmã Dulce’ será entregue ao Papa Francisco”. Na hora achei que era brincadeira, como assim Papa Francisco vai assistir a um filme que eu escrevi, caramba? Pesquisei… e era verdade!

Segundo averiguei, a notícia dizia o seguinte:

“Está a cargo de dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entregar ao papa Francisco o DVD do filme “Irmã Dulce”. Ele está a caminho de Roma junto com dom Orani Tempesta, cardeal do Rio de Janeiro; dom Odilo Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo e dom Edgard Madi, bispo da Eparquia Maronita Libanesa no Brasil.” 

Incrível! A emoção é grande,  sou grande admirador do novo Papa. Acredito, inclusive, que ele e Dulce têm muito em comum. Ao escrevê-la ganhando as ruas de Salvador, me lembrei das imagens que vi pela TV do Papa Francisco em sua última visita ao Brasil. Ou seja: ele nem sabe, mas inspirou algumas cenas do longa.

E a matéria dizia mais:

“Uma comitiva segue para Roma: a produtora Iafa Britz; Maria Rita Pontes, sobrinha da irmã Dulce e Superintendente da OSID – Obras Sociais irmã Dulce; e padre Omar Raposo. Eles têm em mãos duas cartas de recomendação do filme, assinadas por dom Murilo Krieger, arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) e primaz do Brasil dom Orani, cardeal do Rio de Janeiro; ainda, irão encontrar pessoas fundamentais para a divulgação do filme, como o diretor da Rádio Vaticano.”

Espero que o filme ajude a aumentar ainda mais o fascínio e a admiração que as pessoas têm pela freirinha. Que alegria! E o filme nem chegou aos cinemas ainda…!

Bianca Comparato como Irmã Dulce. Foto de Ique Esteves.

Bianca Comparato como Irmã Dulce. Foto de Ique Esteves.

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Sonhando com Sundance

Recebi uma notícia maravilhosa essa semana. “Ponte Aérea”, filme que escrevi com Julia Rezende e Rafael Pitanguy – contando com a colaboração valiosa de Patrícia Corso – será avaliado por Shari Frilot, curadora do Sundance Film Festival. Fomos escolhidos entre muitos outros longas para fazer parte de um pequeno grupo de apenas doze filmes que Shari avaliará em sua curta passagem pelo Brasil – isso graças ao programa Encontros com o Cinema Brasileiro. A ideia é aumentar as chances de ser selecionado para o festival. Já pensou? Boa sorte pra nós, boa sorte pro “Ponte Aérea”! Mas estar entre os pré-selecionados já me enche de alegria de verdade. E de orgulho – acho o “Ponte” um dos filmes mais bonitos que já escrevi.

"Ponte Aérea" será avaliado pela curadora do festival de Sundance, Shari Ferlot.

“Ponte Aérea” será avaliado pela curadora do festival de Sundance, Shari Ferlot.

Estes foram os doze filmes selecionados pelo programa Encontro com o Cinema Brasileiro:

“Apneia”, de Mauricio Eca (Juba Filmes)
“Aspirantes”, de Ives Rosenfeld (Crisis Produtivas)
“Beatriz – Entre a Dor e o Nada”, de Alberto Graça (MPC & Associados)
“Beira-Mar”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (Avante Filmes)
“Brasil S/A”, de Marcelo Pedroso (Símio Filmes)
“Dromedário no Asfalto”, de Gilson Vargas (Pata Negra)
“Eles Vieram E Roubaram Sua Alma”, de Daniel De Bem (Sofá Verde)
“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (Cinema Brasil Digital)
“Um Homem Só”, de Claudia Jouvin (Giros Interativa)
“Maresia”, de Marcos Guttmann (Solar Filmes e Passaro Films)
“A Misteriosa Morte de Pérola”, de Guto Parente (Alumbramento e Tardo)
“Ponte Aérea”, de Julia Rezende (Morena Filmes)

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Vencemos!

Parece que o pessoal realmente curtiu o nosso “Segredo dos Diamantes” no Festival de Gramado. O longa levou o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular – mostra que estamos no caminho certo para agradar o público quando chegarmos às telas em Dezembro.

Parabéns Helvécio! Parabéns equipe! Parabéns atores! E parabéns pra mim também, caramba!

Que venha Dezembro!

Os vencedores do Festival de Gramado, 2014. E entre eles o super Helvécio!

Os vencedores do Festival de Gramado, 2014. E entre eles o super Helvécio! Diamantes! Viva!

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‘Segredo dos Diamantes’ ganha data de lançamento

Meu filme com Helvécio Ratton, “O Segredo dos Diamantes”, finalmente ganha sua data de lançamento: dia 18 de Dezembro. O longa também vai participar do Festival de Gramado onde a atriz Manoelita Lustosa será homenageada antes da exibição do filme. Vai ser emocionante!

Estado de Minas

 

Sei que existe toda a questão da competição (o longa entrou na mostra competitiva do festival), mas estar entre os oito selecionados já é um presentão. Olha o que dizem no site do festival:

“É a melhor seleção de filmes que a gente fez nos últimos anos”, disse o curador Rubens Ewald Filho, durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira pela manhã na Cinemateca Paulo Amorim (Casa de Cultura Mário Quintana). No encontro, foram anunciados os selecionados à 42ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que ocorre de 8 a 16 de agosto, na cidade serrana. “Fomos muito rigorosos em nossos critérios de avaliação. Se tivéssemos espaço, teríamos mais quatro ou cinco filmes em competição, sem comprometer a qualidade”, ainda comentou Rubens.

Dos 794 inscritos para as mostras competitivas, foram escolhidos oito longas-metragens nacionais, cinco latino-americanos, 15 curtas-metragens nacionais e 17 curtas gaúchos (Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema). A qualidade das produções deste ano são resultado de uma boa safra do cinema brasileiro e latino.”

Não é pra se encher de orgulho?!

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