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Levamos!!!

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Esse natal chega cheio de presentes pra mim. Além de ter dois filmes em cartaz ao mesmo tempo (“Irmã Dulce” e “O Segredo dos Diamantes”), dois outros projetos meus foram contemplados com o impulso que nos faltava… “Minha Fama de Mau” foi premiado com 1,5 milhão de reais pelo edital de cinema do BNDES e “Kardec” ganhou um investimento de 3 milhões de reais do Fundo Setorial do Audiovisual!!! Com esses valores fechamos o orçamento de ambos os projetos, garantindo a filmagem deles no ano que vem.

Obrigado BNDES! Obrigado ANCINE!

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Segredo dos Diamantes, críticas

Tirando o bonequinho do Globo (que estava num dia ruim), estamos colecionando críticas incríveis! Minha favorita segue sendo a do Pablo Villaça, do Cinema em Cena (que já publiquei aqui), mas essas novas são bem simpáticas também. Viva!

O filme existe, e é delicioso. Depois de “Dança dos Bonecos” e “Menino Maluquinho”, Ratton conseguiu de novo. Luiz Carlos Merten, O Estado de São Paulo.

O Segredo dos Diamantes lembra tudo aquilo que se viu de melhor no cinema de aventura de Steven Spielberg, por exemplo, passando por Os Gonnies, O Enigma da Pirâmide e até mesmo a série Indiana Jones. Ratton consegue criar a mais perfeita atmosfera de cinema de aventura, numa história cheia de mistérios, sustos, descobertas. Enfim, um filme para crianças dos oito aos oitenta. Marcos Petrucelli, Site e-pipoca

O filme é capaz de encantar todas as faixas etárias, além de trazer, sem forçar a barra, as paisagens, a cultura e o sotaque do interior de Minas Gerais. Mariane Zendron, UOL Cinema.

Aproveitando o talento excepcional de Dira Paes (no auge de tudo) e trazendo de volta o veterano Rui Rezende, o filme é basicamente interpretado por gente mineira e todos eles se saem muito bem, inclusive as crianças. […] O filme é divertido, bem feito e recomendado. Rubens Ewald Filho.

“O Segredo dos Diamantes” é sim voltado para um público mais jovem e por isso aposta em uma trama simples, sem exigir grandes interpretações do espectador. É justamente esta simplicidade a princpal responsável por tornar o trabalho de Ratton tão apaixonaste. Gustavo Assumpção, CineClick.

Ratton tem bastante experiência com cinema infanto-juvenil […] e se mostra bastante confortável na direção. Mostra-se capaz de criar uma espécie de “cinema ao modo antigo”, mas sem o cheiro de mofo, com algum frescor: uma aventura de sessão da tarde. Alysson Oliveira, Cineweb.

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Foto incrível do Leo Lara.
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Pré-estreia Segredo dos Diamantes

Um dia especial e inesquecível, assim vou sempre lembrar da pré-estreia do filme que escrevi para Helvécio Ratton, “O Segredo dos Diamantes”.

Por vários motivos. É um filme escrito há muito tempo, onde pude compartilhar minhas ideias com um dos diretores brasileiros que mais admiro – gosto especialmente de um filme dele chamado “Amor e Cia”, divertido e leve. É também uma história mineira e eu adoro aquele lugar especial de onde saíram meus maiores ídolos, entre eles Murilo Rubião e Fernando Sabino. E se trata de um filme de aventura como tantos que curti quando garoto – estou falando daqueles hits da Sessão da Tarde como “Os Goonies”, “Conta Comigo” e “O Enigma da Pirâmide”.

"Ele é do mal", explica meu filho ao amiguinho.

“Ele é do mal”, explica meu filho ao amiguinho.

Mas o principal motivo foi ter levado comigo meu filho. Ele só tem seis anos e está começando a entender o meu trabalho. “Papai inventa histórias”, é o que eu costumo dizer, “histórias pro cinema”. Ele diz que entende, mas é um conceito meio abstrato pra uma criança entender – pra alguns adultos também. Mas pela primeira vez pude levá-lo a um filme meu – “O Segredo dos Diamantes” é um infanto-juvenil. Ele viu os atores, viu o cartaz com o meu nome, e, munido de pipoca e curiosidade, assistiu ao longa. Foi uma emoção muito grande vê-lo comentando com o amiguinho da escola sobre a trama, torcendo pelos protagonistas, rindo das cenas engraçadas.

Ao final veio a crítica decisiva do meu menino.

“Gostei muito, papai”, ele disse.

Respirei aliviado. De todas as críticas bacanas que recebemos, essa vou guardar pra sempre comigo.

Obrigado, filho!

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Vicente Amorim sobre “Irmã Dulce”

“O senso comum, a preguiça e os manuais de roteiro dizem que um bom personagem é obrigatoriamente falho e contraditório. Remar contra a corrente foi parte do que me moveu a filmar. Fazer um filme sobre uma personagem que dedicou sua vida a fazer o bem e, ainda por cima, limitado pelas amarras de contar a história de uma personagem verdadeira, que é objeto de culto e devoção, foi uma viagem difícil, mas inesquecível. A responsabilidade, portanto, é contar uma boa história, emocionar e ser justo e honesto.”

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Irmã Dulce no Cinema Aqui (crítica)

Vicente Amorim, Bianca Comparato e JP Teixeira (continuista).

Vicente Amorim, Bianca Comparato e JP Teixeira (continuista).

“Não é novidade nenhuma que o cinema brasileiro tenha descoberto um filão na religiosidade de sua população. Seja espírita com Nosso Lar, ou católico com Aparecida – O Milagre é só tocar no assunto que as filas se formam. Curiosamente ambos filmes citados acabam se apoiando apenas nisso para tentarem o sucesso, já que em termos de qualidade ficam aquém. Mas é mais curioso ainda que de todos esses, talvez o que melhor aproveite o assunto seja mesmo Irmã Dulce.

Curioso, pois assim como o Chico Xavier de Daniel Filho, Irmã Dulce, mais que um filme religioso, é um filme sobre um personagem. E mais curioso ainda se levarmos em conta que pela primeira vez se dá um passo para trás e se encara a instituição religiosa como opressora que é. Em outras palavras, um filme onde o vilão é a própria igreja católica.

Ainda que de modo velado e sutil, o filme mostra de um lado uma freira de Salvador movida por uma vontade intrínseca de fazer o bem e ajudar os mais necessitados, isso enquanto do outro lado do cabo de guerra, sempre uma figura autoritária tenta cessar suas ações. Seja uma madre superiora, um político, ou até dois enviados pela igreja. Não vilões, mas sim representações de uma sociedade que não consegue lidar com o altruísmo puro e simples.

E esse talvez seja o elemento chave do roteiro de L.G. Bayão, focar seus esforços em um personagem maior que qualquer igreja, instituição política ou hierarquia, maior até do que ela mesma e seus interesses. Durante todo o tempo, Irmã Dulce só faz o bem, custe o que custar para ela e para qualquer um. E antes que isso possa se tornar um chatice bondosa, Bayão ruma para um fim apoteótico para celebrar a figura.

Irmã Dulce então é um filme curto, preciso e que passa num piscar de olhos. Percorre 60 anos da vida da personagem, se escora bem uma pequena linha central e um personagem que a acompanha durante esse periodo (João, que humaniza Dulce ainda mais, em sua busca por ajudá-lo) e acaba bem no momento que poderia ficar cansativo. Na tela o que se vê é apenas o sucesso e a força do “Anjo Bom da Bahia”.

Um esforço que ainda é coroado com o trabalho sensível e forte do diretor Vicente Amorim (dos ótimos Corações Sujos e O Caminho das Nuvens), que não economiza ângulos rebuscados (contra-plongees e movimentos amplos) e muito menos tem medo de encarar nos olhos não só seus personagens, mas as mazelas e terrores desses que mais precisam de ajuda. Amorim penetra em suas almas com sua câmera e celebra a ótima fotografia de Gustavo Hadba (Faroeste Caboclo) e a beleza e competente recriação de época da direção de arte de Daniel Flaksman (que também esteve em Corações Sujos).

Infelizmente o que talvez seja o elo mais fraco dessa corrente acabe sendo o trabalho desempolgante de Regina Braga como uma Irmã Dulce mais velha. Burocrático e sem o menor esforço, Braga simplesmente entra no hábito e repete o roteiro. Uma falha que pula mais aos olhos ainda quando se dá conta que o melhor do filme é, justamente, o trabalho de Bianca Comparato como a jovem personagem.

Comparato encarna a freira de modo tão preciso que a ausência de semelhanças físicas entre ela e a figura real é completamente esquecida diante do esforço para captar sua dicção, seus trejeitos e seu andar. É um pena então que ela permaneça por menos da metade do filme na tela.

Uma pena também que, muito provavelmente, o filme acabe sendo vendido muito mais pelo seu lado religioso do que por suas qualidades, o que afastará parte dos espectadores, que fogem desse gênero já tão maltratado no cinema brasileiro. Mas uma coisa é certa, quem resolver entrar na fila de Irmã Dulce, seja católico, espírita, seguidor do candomblé ou de qualquer outra religião, vai dar de cara com um filme surpreendentemente fino, preciso e objetivo.”

VINICIUS CARLOS VIEIRA

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Segredo dos Diamantes: storyboards

Em “Segredo dos Diamantes” tivemos o privilégio de contar com o talento de um artista que eu não conhecia, Toninho Hashitomi. O cara arrebentou nos storyboards do filme. A cena inicial, emblemática e chocante, precisava de uma preparação enorme por conta dos efeitos especiais – e nessa hora o talento do artista de storyboard não tem preço.

Reproduzo aqui alguns painéis e fotos dessa cena inicial.

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

A arte de Toninho Hashitomi

Dira Paes e Nivaldo Pedrosa no estúdio rodando a cena antes dos efeitos serem aplicados.

Dira Paes e Nivaldo Pedrosa no estúdio rodando a cena antes dos efeitos serem aplicados.

Helvécio Ratton e equipe conferindo a filmagem da cena no estúdio.

Helvécio Ratton e equipe conferindo a filmagem da cena no estúdio.

A cena já finalizada com os atores Dira Paes, Nivaldo Pedrosa e Matheus Abreu.

A cena já finalizada com os atores Dira Paes, Nivaldo Pedrosa e Matheus Abreu.

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“Irmã Dulce merece fazer sucesso”

CRÍTICA DO ESTADÃO

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Há um momento admirável em Irmã Dulce, o filme. Preocupada com o filho, que sumiu na noite de Salvador, a religiosa o procura no candomblé, onde João foi fechar seu corpo. Para surpresa de todos, adentra o terreiro. Troca olhares/palavras com a senhora dos orixás. Entendem-se. Respeitam-se. A cena não é só uma licença poética. Ocorreu de verdade, mesmo que João, o filho, não seja um, mas a síntese dos centenas/milhares de Joões a quem Irmã Dulce deu uma vida. Mais tarde, Irmã Dulce vai ao encontro do papa. A cúpula da Igreja tentou afastá-la de João Paulo II. João, o filho, liderou um movimento popular e o encontro com o papa, na verdade, é o reencontro com o filho. Duas belas cenas.

O cinema brasileiro tem contado biografias, mas os filmes, embora bem feitos (Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo CoelhoTim MaiaTrinta), não têm acontecido. Podem-se identificar os motivos – um problema de recorte, na hora de selecionar o que contar –, mas uma facilidade talvez seja dizer que o público prefere as comédias aos dramas. Os maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional são dramas embasados na realidade – Tropa de Elite 1 e 2, 2 Filhos de Francisco. Mas parece uma temeridade fazer um filme sobre Irmã Dulce. A vida dela foi uma luta sem-fim pelos pobres, mas não oferece aquilo que se chama de ‘curva dramática’. O diretor Vicente Amorim e seus roteiristas (L.G. Bayão e Anna Muylaert) se valem de personagens secundários para criar a curva. Arriscam-se. Por algum milagre, conseguem. Irmã Dulce é um grande filme ‘popular’. A questão de sempre – fará sucesso? Bianca Comparato e Regina Braga são extraordinárias no papel, Amaurih Oliveira, que faz João, é uma revelação e você vai odiar a madre ressentida de Irene Ravache, de tão bem que ela faz a personagem. Os cuidados de produção são imensos. Mas a interrogação permanece – você vai querer ver esse filme? Vicente Amorim teve tempo de pensar no que e como fazer. Buscou suas referências. Menina, a futura Irmã Dulce arranha a parede do barraco ao ser levada pela mãe para conhecer a miséria. Adulta, arranha com as unhas outra parede, ao se dirigir ao encontro com o papa. Emmanuelle Riva fazia isso numa cena-chave de Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais. Casta, casada com Cristo, Irmã Dulce sente uma perturbação ao reencontrar o acordeonista de sua infância. Toca-lhe a barba com delicadeza – para lembrar, como diz a madre, que é mulher?

É um belo filme, e como todos de Vicente Amorim fala de uma tentativa de organizar o caos do mundo. O caos do Brasil. O final meio que institucionaliza o propósito, mas no reencontro com o papa, a troca agônica de olhares desenha a morte dela e o que vai ser o sofrimento dele.

Irmã Dulce, o filme, merece fazer sucesso.

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